Cultura afro-brasileira nas escolas com os ateliês Som e Movimento

Em algumas matérias sobre os ateliês Som e Movimento (Percussão e Capoeira), do Ateliê-Escola, mencionamos atividades em que os educadores Mônica Santos e César Pedrosa explicam para as crianças a história do maracatu e da capoeira. Ambos surgiram com os homens e mulheres que foram trazidos da África, e são considerados manifestações afro-brasileiras. Levar esses ateliês às escolas não é apenas uma oportunidade de apresentar à garotada os movimentos, instrumentos e cantos, mas também de contribuir com uma lei muito importante: a lei nº 10.639.

Essa lei foi criada em 2003 e tornou obrigatório que as escolas incluam o estudo da história e da cultura afro-brasileira no currículo escolar. “São conteúdos que precisam ser trabalhados por muitos motivos. Em primeiro lugar, porque é uma das matrizes da nossa cultura”, diz Julia Pittier Tsezanas, que é musicista e mestre em História. Ela usa como exemplo diversos ritmos da música brasileira que foram influenciados pela cultura afro-brasileira, como o samba, o axé e a MPB.

SM - ALF - ABRIL (17)

Outro motivo importante é o combate ao preconceito. “Trazer toda a diversidade da cultura afro-brasileira para a escola ajuda a dimensionar a riqueza dessa matriz e a valorizá-la. Aos poucos, pode reverter a questão do racismo e trazer uma visão sem estereótipos da cultura negra”, afirma Julia. Para a musicista, os ateliês dedicados ao maracatu e à capoeira são muito enriquecedores por unirem o conteúdo com a arte.

As educadoras do Museu Afro Brasil Bruna Amaro dos Santos e Renata dos Santos também compartilham dessa opinião. Bruna explica que o maracatu de baque virado, praticado no Ateliê-Escola, é muito ligado a tradições da história dos negros que normalmente não são faladas em sala de aula. “É uma forma de entender a participação dos povos africanos na história do Brasil e a cultura que eles trouxeram”, conta.

Renata comenta que na capoeira também há elementos que contam a trajetória dos negros no país, como as canções, a estrutura da roda e o toque do berimbau. “Há muitas músicas que falam da luta dos negros, de sua condição como escravos, dos grupos étnicos, do sentimento em relação à África”, diz a educadora. “A capoeira é uma forma lúdica e mais palpável para abordar esse tema com as crianças”, completa.

SMC - LA - JUNHO 01 (11)

Publicado em agosto 4, 2015, em Ateliê Som e Movimento, Ateliê-Escola, Capoeira, Maracatu e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: