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Cordel é patrimônio cultural do Brasil… e do Ateliê-Escola!

Este livrinho nos mostra
Que a ambição nada convém
Todo homem ambicioso
Nunca pode viver bem,
Arriscando o que possui
Em cima do que já tem.
Trecho de “O Cavalo que Defecava Dinheiro”, de Leandro Gomes de Barros

Faz cerca de dois meses que a literatura de cordel foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Um reconhecimento importante, que valoriza e institucionaliza essa expressão literária popular típica do Nordeste, caracterizada pela estrutura narrativa, pelos versos em sextilhas e por ser impressa em pequenos folhetos ilustrados com xilogravuras (que normalmente são expostos em cordas, daí seu nome). Aqui no Instituto Eurofarma a gente sabe da importância do cordel. Tanto que esse gênero é um dos focos do ateliê Era Uma Vez…

A ideia de explorar a literatura de cordel foi do educador Márcio Maracajá, que é pernambucano. “Minha primeira lembrança de história, de narrativa é de cordel. Minhas tias, minhas avós, liam cordéis para os netos. Alguns cordéis minhas tias sabiam de cor”, lembra. Em São Paulo há 13 anos, Maracajá já realizou diversos projetos relacionados a literatura de cordel e possui um vasto acervo pessoal. Três anos atrás, fez uma experiência piloto ao introduzir o cordel em uma turma. No ano passado, retomou a ideia. Hoje, todas as turmas de 5º ano que participam do Era Uma Vez…, na EMEF Doutor Habib Carlos Kyrillos e na EE Professora Amélia Moncon Ramponi, aprendem sobre cordel. Assim, o ateliê contribui para o trabalho dos professores, já que a grade curricular desta série inclui o estudo de estilos literários, e nem sempre as escolas contam com material suficiente para permitir a exploração de diferentes estilos.

O ateliê possui duas matrizes: a obra de Leandro Gomes de Barros, um grande mestre da literatura de cordel (o verso lá do início é dele) e a memória do próprio educador. Cada turma trabalha dez cordéis de diferentes autores ao longo do semestre. Além do acervo pessoal que Maracajá leva às escolas, o Instituto Eurofarma comprou três kits de cordéis da Academia Brasileira de Literatura de Cordel que foram disponibilizados para as duas escolas participantes do ateliê. Os temas dos cordéis são Romance, Pelejas e humor e Diversos.

Maracajá, que é ator-narrador, lê o texto para as crianças e, em cima disso, o grupo estuda os elementos da narrativa – conflito, tipo de personagem, recursos universais, tempo e espaço. Depois, a turma explora a forma do cordel, que é a sextilha (estrofes de seis versos em que o segundo, o quarto e o sexto verso rimam entre si). Com a sextilha entendida, brincam de compor versos ou trocar palavras. “É dificílimo, e as crianças percebem isso”, conta Maracajá. O último passo é criar uma ilustração. O cordel normalmente traz uma única imagem, uma xilogravura na capa. No Era Uma Vez…, as crianças criam uma ilustração para cada cordel lido, transferem o desenho para uma placa de isopor e fazem a gravura.

A experiência do ateliê é amplificada na casa das crianças, já que muitas se identificam com o cordel por terem família no Nordeste. “Eles chegam em casa e contam. O que volta de cordel, de versinho… É como se a gente acendesse uma luzinha, um sinal que está apagado: ‘ah, tem algo importante lá”, conta Maracajá. Essa valorização vai ao encontro do reconhecimento concedido pelo Iphan à literatura de cordel, sobre o qual falamos lá no início. “O papel do educador é revelar autores, mostrar horizontes. É considerado literatura inferior, mas é tão rico.”

 

Gotejador solar: uma ideia simples e eficiente para ajudar na rega

Um espaço de cultivo é sempre diferente do outro. Possui características próprias, vantagens e desafios específicos a serem superados. Na EE Professora Amelia Moncon Ramponi, por exemplo, o espaço do Viveiro-Escola tem uma característica que faz com que a terra seque muito rápido. A solução encontrada pela equipe do Ateliê-Escola foi a instalação de um uma tecnologia inovadora, mas muito simples: um gotejador solar.

O viveiro da EE Professora Amelia Moncon Ramponi é um pouco diferente dos espaços que existem há alguns anos na EMEF Alferes Tiradentes e na EMEFM Professor Linneu Prestes, que são estruturas fechadas por tela e com prateleiras para se colocar as mudas, parecidas com estufas (ainda que o ateliê utilize outros espaços da escola, como hortas e jardins). No Moncon, o Viveiro-Escola se realiza em um canteiro, um espaço delimitado no chão e a céu aberto. Só que a camada de terra do canteiro é pequena, com cerca de 20 centímetros acima do concreto. Por isso, seca muito rápido. É aí que entra o gotejador solar.

Como funciona? A ideia do gotejador é fornecer à terra uma rega constante, independente da ação humana, ainda que parcial e em pequenas quantidades. Para montá-lo, são necessárias apenas duas garrafas plásticas de água de tamanhos diferentes – a menor com a boca cortada e a maior com o fundo cortado. A garrafa menor, cheia de água, deve ser enterrada no canteiro até a metade. Em cima dela, coloca-se a garrafa grande. O calor do sol faz a água da garrafa de dentro evaporar e se condensar na parede interna da garrafa maior, escorrendo depois para a terra. O resultado é que o solo embaixo e no entorno das garrafas fica úmido por todo o tempo em que houver água dentro da garrafa pequena. “Quando o solo está muito molhado, a água para de evaporar porque o ambiente fica saturado. De tempos em tempos você só tem que encher a garrafa de dentro”, explica o biólogo Marcel Zimmermann, que trabalha no Viveiro-Escola junto com o educador Caito Martins. Mas o gotejador não consegue manter a terra úmida sozinha: como a área que ele alcança é pequena, a rega periódica precisa continuar. (Para saber mais sobre o gotejador solar, veja este vídeo e este também.)

A experiência com o gotejador solar começou na EE Professora Amelia Moncon Ramponi há cerca de um mês. A equipe do Ateliê-Escola cortou as garrafas (foram usadas garrafas de 7 litros e de 2 litros), mas a montagem dos gotejadores no solo foi feita pelos próprios alunos. Ao redor dos gotejadores, foram plantadas mudas de suculenta, para entender como as plantas reagiriam ao experimento. Desde então, a água dentro das garrafas só precisou ser reposta uma vez (em parte porque começou a chover). E as mudinhas estão indo bem: já estão rebrotando!

 

 

Canto, capoeira, cordel e xilogravuras na EMEF Doutor Habib Carlos Kyrillos

No último sábado, dia 20/10/2018, teve mostra cultural na EMEF Doutor Habib Carlos Kyrillos – e o Ateliê-Escola esteve lá! Rolou apresentação de canto coral, com turmas do 2º ano que participam do Ateliê Canto em Grupo. Também teve uma roda de capoeira com o 3º ano que faz parte do Ateliê Som e Movimento: Capoeira, além de exposição de instrumentos e materiais sobre a história da capoeira. Para finalizar, os alunos de 4º e 5º anos que participam do Ateliê Era Uma Vez… expuseram cordéis e xilogravuras que fizeram neste semestre.

As atividades foram realizadas pelas crianças sob orientação dos educadores George Ferreira, Robson Pessoa (Canto em Grupo), Rodrigo Fonseca, Paula Araújo, Camila Nascimento (Som e Movimento: Capoeira) e Márcio Maracajá (Era Uma Vez…).

 

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Uma central de mudas para o Viveiro Escola

A principal característica do Viveiro Escola é a diversidade de projetos e cultivos. Para cada escola há uma solução de plantio e de ocupação do espaço, que dialoga com suas características físicas e seu projeto pedagógico. O espaço da EMEFM Professor Linneu Prestes é o que funciona há mais tempo, desenvolvendo um papel importante em relação aos demais. É um local com vocação para experimentação e que se tornou o principal produtor de mudas dos quatro viveiros mantidos hoje pelo Ateliê-Escola.

O espaço fica em uma parte mais isolada da escola e é usado somente para atividades pedagógicas. Sendo um local preservado, mostrou-se apropriado para a construção de estruturas que em outros viveiros seriam mais difíceis de acontecer. “A gente começou a pensar que esse espaço podia ser usado tanto para desenvolver alguns protótipos, como o do lago, quanto para começar a investir na produção de mudas”, conta o educador Julio Muller.

Entre as principais mudas que o viveiro do Linneu produz estão árvores como pitanga, amora, acerola e abacate; hortaliças e ervas medicinais como babosa; temperos clássicos como alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha, coentrão; ervas aromáticas como malva de cheiro, capim santo e arruda. Há também mudas de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais): capuchinho, bertalha, ora-pro-nóbis, melãozinho de são caetano, caetá do brejo.

Hoje, o Linneu fornece mudas não só para as outras escolas do Viveiro Escola, mas também para as famílias dos alunos e alunas. “O fluxo é aberto. As crianças vêm e levam 20 mudas pra casa. Um tio de uma criança veio buscar mudas pra fazer uma horta na casa dele”, exemplifica Julio. Agora, a equipe do Viveiro Escola no Linneu, que é formada por Julio e por Marcel Victor, está consolidando essa vocação. A ideia é estabelecer um controle de quantas mudas saem, quais culturas e para onde.

E não é só na vocação que o Linneu é diferente. Lá, todas as 5 turmas do Ensino Fundamental I participam do ateliê. Isso quer dizer que elas vão desenvolvendo uma relação contínua com o espaço do viveiro, e que se renova a cada ano. Julio conta que há um grupo de alunos do 4º ano que curte fotografia e resolveu fazer um registro fotográfico do viveiro. Já algumas meninas do 5º ano gostam de construir e estão se dedicando a melhorar a harmonia do espaço e o lugar de cada coisa lá. Ou seja, meninos e meninas autônomos, que sentem que o espaço do viveiro também é deles.

Trabalho de criança: muita coisa bonita, gostosa e divertida no encerramento do Ateliê-Escola

Os ateliês do Ateliê-Escola também prepararam atividades especiais para marcar o encerramento do ano, realizadas ao longo de novembro e nas primeiras semanas de dezembro. Teve rodas de capoeira, dias de brincadeiras, apresentações de canto e muito mais!

Ateliê Arte para Todos: Cada escola participante do ateliê neste ano ganhou uma instalação artística diferente feita pelas crianças! Os armários das salas da EE Professora Amélia Moncon Ramponi foram restaurados com técnicas de mosaico e pintura em tinta spray. Um dos muros internos da EMEF Carlos de Andrade Rizzini foi colorido com diversas ilustrações. E as paredes da EMEF Professora Maria Lúcia dos Santos contam agora com grandes painéis de MDF ilustrados com personagens gigantes.

Ateliê de Jogos e Brincadeiras: A criançada do ateliê e de outras turmas se divertiu com o Dia de Brincadeiras, organizado na EE Professora Amélia Moncon Ramponi e nas EMEFs Carlos de Andrade Rizzini e Professora Maria Lúcia dos Santos! Foram montados espaços na área externa das escolas com brincadeiras como bolhona de sabão, casinha, argila, bambolê e outras.

Ateliê Era Uma Vez…: Os pequenos contaram histórias do livro “Fábulas Italianas”, de Ítalo Calvino, para seus colegas de outras turmas das EMEFs Professora Maria Lúcia dos Santos e Doutor Antônio Carlos de Abreu Sodré da EE Professora Amélia Moncon Ramponi.

Ateliê Cultura Digital: As turmas do 2º semestre produziram vídeos com depoimentos de alunos e professores sobre histórias que marcaram suas vidas. Os vídeos foram exibidos às turmas das EMEFs Professor Laerte Ramos de Carvalho e João Gualberto do Amaral Carvalho e da EE Professora Amélia Moncon Ramponi em diversas sessões e durante a Mostra Cultural das escolas, com a presença dos pais.

Ateliê Som e Movimento – Capoeira: As Mostras Culturais da EMEF Professor Laerte Ramos de Carvalho e da EE Professora Amélia Moncon Ramponi tiveram rodas de capoeira com os participantes do ateliê, com ladainhas (cantos de capoeira) compostas pelas próprias crianças!

Viveiro Escola: Na EMEFM Professor Linneu Prestes, alunos, pais e moradores da comunidade puderam conhecer o viveiro durante a Mostra Cultural. O viveiro da EE Professora Amélia Moncon Ramponi também teve visitação na Mostra Cultural, além de uma exposição de cartazes com fotos das atividades realizadas durante o ano. Já as turmas da EMEF Alferes Tiradentes se reuniram para um encontro no viveiro, onde saborearam um guacamole feito pelo educador Pedro Massella e pelo assistente Marcel Zimmermann.

Ateliê Canto em Grupo: Seis escolas participaram do ateliê neste ano com 21 turmas, que realizaram 14 apresentações de canto nas escolas para encerrar 2017. Além disso, as turmas da EMEF Carlos de Andrade Rizzini se apresentaram para pais e comunidade no teatro da Paideia Associação Cultural, que fica no mesmo bairro da escola.

Turmas do Ateliê Canto em Grupo apresentam clássicos da MPB em Mostra Cultural

As turmas do Ateliê Canto em Grupo (Ateliê-Escola) da EMEF Doutor Antônio Carlos de Abreu Sodré fizeram apresentações na Mostra Cultural da escola! O evento aconteceu no dia 15 de setembro e reuniu pais, moradores do bairro e toda a comunidade escolar. A primeira turma a se apresentar foi a do educador George Ferreira, seguida da turma da educadora Luciene de Azevedo. O repertório incluiu clássicos da MPB e cantigas populares, como “Canto do povo de algum lugar”, de Caetano Veloso, “Minha canção”, de Chico Buarque, “Águas de março”, de Tom Jobim e “Maria, Maria”, de Milton Nascimento.