Arquivos do Blog

O Passo: uma educação musical para todos

“A ideia do famoso ‘dom’, de que se nasceu ou não para a música, é perigosíssima e tem realmente servido apenas como desculpa tanto para aqueles estudantes que não têm forças para entrar ou permanecer num processo de ensino-aprendizagem musical quanto para aqueles professores que não sabem como conduzir esse processo.”

Lucas Ciavatta, autor do método para a educação musical O Passo

Entre as ações do Ateliê-Escola, está o Ateliê Canto em Grupo. O ensino de música, embora esteja previsto por lei, está longe de ser oferecido pela maioria das unidades escolares. Razões para isso, como sabemos, não faltam. Mas, felizmente, para algumas escolas, a presença dos educadores do Instituto Eurofarma tem tornado possível esse ensino.

Duas das perguntas-chave que orientam qualquer ação educativa, “O que queremos ensinar?” e “Como vamos fazer isso?”, têm sido respondidas no contexto do Ateliê Canto em Grupo da seguinte maneira: queremos que os estudantes conheçam compositores e sejam capazes de cantar canções que se tornaram “clássicos” da música brasileira. Para isso, vamos lhes apresentar obras de Pixinguinha, Luís Gonzaga, Dorival Caymmi, Noel Rosa, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Caetano Veloso e outros. Queremos também que os estudantes conheçam e valorizem a diversidade rítmica brasileira, porque a consideramos um dos nossos patrimônios culturais mais importantes.

E como vamos ensinar o que estamos nos propondo? O uso d’O Passo no Ateliê-Escola

O Ateliê Canto em Grupo é conduzido por quatro educadores. Embora cada um tenha seu jeito de ensinar, todos concordam sobre a eficácia do método de educação musical chamado O Passo, criado pelo carioca Lucas Ciavatta e que tem sido usado não só no Brasil, como em outras partes do mundo.

Qualquer produção sonora feita por uma pessoa demanda necessariamente algum movimento corporal. Ou seja, não é possível tocar ou cantar sem realizar algum tipo de movimento. O corpo, portanto, é o único instrumento do qual não podemos prescindir para fazer música. Foi a partir dessa observação (aparentemente óbvia), que Lucas Ciavatta desenvolveu O Passo.

Os dois princípios que orientaram a elaboração do método, a inclusão e a autonomia, foram decisivos para sua adoção pelo Ateliê-Escola. O princípio da inclusão expressa a crença de Lucas de que todos são capazes de aprender música, crença compartilhada pelos gestores do Ateliê-Escola. Além disso, Lucas também se dedicou a elaborar um jeito de ensinar que contasse apenas com recursos bem simples: palma e voz. Assim, não é necessário instrumentos ou equipamentos que, muitas vezes, as escolas têm dificuldade em conseguir.

O método consiste no uso de movimentos específicos com os pés (os passos) e as mãos (as palmas) para acompanhar a pulsação da música e, consequentemente, entender sua estrutura rítmica. “É uma linha de pensamento de educação musical que defende que é o corpo que vai facilitar a compreensão do ritmo dentro de uma pulsação. Então o corpo está sempre manifestando a pulsação da música para que a gente possa compreender os eventos rítmicos em relação a essa pulsação”, diz Daniel Reginato, um dos educadores do ateliê.

Em uma das atividades, os participantes precisam acompanhar as palmas do educador, porém, de costas para ele – o que não dá certo. Daniel pergunta o que poderiam fazer para que todos batessem palmas ao mesmo tempo, e as próprias crianças dão a sugestão: contar até três para bater as palmas. É a deixa para o educador apresentar O Passo Quaternário Simples, em que um compasso de quatro tempos é marcado por dois passos para frente e dois para trás. Ao contar os passos e saber em qual deles todos vão bater palmas, os pequenos conseguem fazer isso juntos, sem depender de ver o que Daniel está fazendo.

Para conhecer mais sobre O Passo, acesse: opasso.com.br.

Um viveiro para toda a escola na EMEF Alferes Tiradentes

Um espaço de aprendizado, contato com a natureza e integração entre a escola e a comunidade. É assim que é visto o viveiro da EMEF Alferes Tiradentes, criado em 2013 por meio de uma parceria com o Viveiro Escola, do Ateliê-Escola. O viveiro ocupa um espaço bem amplo no estacionamento da escola e conta com diversos recursos, como uma minicisterna, uma composteira e uma roda de bananeiras.

O coordenador pedagógico da escola, Silem Santos Silva, conta que o Viveiro Escola colocou em prática uma proposta que a equipe estava bastante interessada em fazer, mas ainda não tinha conseguido devido às atividades que ocupam a rotina dos professores. “A parceria com o Ateliê-Escola é extremamente importante”, diz Silem. “Quando o Ateliê-Escola entrou, ele deu conta desse outro conteúdo que está no dia a dia escolar, mas na modalidade extraclasse”, explica.

Na EMEF Alferes Tiradentes, as turmas dos anos iniciais são as que participam do Viveiro Escola, mas o viveiro é aberto a atividades de todas as turmas. O coordenador menciona que o espaço já foi local para contações de histórias e para uma atividade do 7º ano em que os alunos fizeram uma identificação das plantas do viveiro e das árvores da escola. “O viveiro cria um contato com a natureza, respeito à terra, noção de como lidar com a vida, compreensão dos processos de plantio e colheita. As crianças também passam a valorizar o trabalho no campo, os alimentos e o trabalho manual”, afirma.

Silem destaca que o espaço do viveiro é bastante valorizado tanto pela comunidade escolar quanto pela comunidade externa. Funcionários e pais podem levar mudas para casa e muitos professores conversam com o educador Bruno Helvécio para saber como fazer o plantio. As cozinheiras e a equipe de limpeza também contribuem com a composteira levando restos de cascas de alimentos e folhas recolhidas no pátio da escola.

Não é à toa que o viveiro da EMEF Alferes Tiradentes serviu como modelo para professores, coordenadores e diretores de outras escolas públicas de São Paulo nas formações sobre horta escolar organizadas em 2015 pelo Ateliê-Escola. Para Silem, esse é um motivo de orgulho. “As escolas públicas têm uma certa rejeição a esse tipo de projeto com a comunidade por receio de depredação. Nós não temos esse problema aqui, percebemos um grande respeito das pessoas que vêm aqui aos finais de semana e da comunidade interna. Eles veem a beleza do espaço e o aprendizado das crianças e respeitam o viveiro.”

Essa boa experiência levou o coordenador e um professor da escola a pensar na expansão do jardim que fica perto do estacionamento. Eles pretendem utilizar conceitos de geometria para planejar o espaço e conversar com o educador Bruno para entender quais tipos de plantas poderão ser plantadas, o tipo de terra a ser utilizada e de que forma podem fazer a ampliação. Temos certeza de que será mais um lindo espaço para toda a escola aproveitar!

Rodas de capoeira juntam crianças e adultos no Ateliê-Escola

As atividades do Ateliê Som e Movimento – Capoeira, do Ateliê-Escola, acontecem ao longo de um ano. Mas o educador Rodrigo Moreira, conhecido como Carioca, pensou em uma maneira muito bacana de marcar o fim do primeiro semestre com as turmas da EMEF Professor Laerte Ramos de Carvalho. Ele organizou duas grandes rodas de capoeira no dia 29 de junho, uma para as crianças do 5º ano (manhã) e outra para as do 1º ano (tarde).

Além dos pequenos, participaram da roda cinco membros do Grupo Nzinga de Capoeira Angola, do qual Carioca faz parte. Todo mundo jogou, cantou e tocou os instrumentos juntos. “As crianças se animaram muito, queriam ir logo para o meio da roda ou pegar os instrumentos para tocar”, diz o educador. Foi um momento muito especial, tanto por ser a primeira roda de capoeira que a garotada participa quanto pela interação com os capoeiristas mais experientes, que explicaram mais sobre as músicas, gestos e movimentos da capoeira.

Carioca conta que as crianças se saíram muito bem na roda, fazendo os movimentos com naturalidade e tocando os instrumentos no ritmo certo. Teve até quem foi além do agogô, do reco-reco e do pandeiro, que são mais utilizados pelos iniciantes na capoeira, para estrear no berimbau e no atabaque! No segundo semestre, o educador pretende praticar mais rodas de capoeira com as turmas, ajudá-las a exercitar o autocontrole e a observação e aprofundar as conversas sobre a história da capoeira.

Final de semestre com torta na cara e contação de histórias

No Ateliê-Escola, os Ateliês Jogos e Brincadeiras e Era Uma Vez… prepararam atividades especiais para encerrar o semestre! As crianças do Ateliê Jogos e Brincadeiras participaram de um campeonato muito divertido de perguntas e respostas, no estilo “torta na cara”. Os pequenos foram divididos em equipes e se revezaram para responder perguntas feitas pela educadora Luana Batista, envolvendo temas das atividades feitas durante o semestre.

O primeiro a bater na campainha tinha que responder a pergunta. Se acertasse, dava uma “tortada” de chantili no rosto do adversário. E se errasse, era ele quem ficava com a cara toda melecada! As três equipes que acertaram mais perguntas ganharam medalhas de ouro, prata e bronze, e a vencedora também recebeu um troféu. O campeonato foi realizado nos dias 27, 28 e 30 de junho nas EMEFs Doutor Antônio Carlos de Abreu Sodré, Alferes Tiradentes, Professora Maria Lucia dos Santos e na EE Professora Amélia Moncon Ramponi.

Já o pessoal do Ateliê Era Uma Vez… escolheu a história que mais gostou de conhecer durante o semestre para contá-la a outras turmas da escola. Foram selecionados os contos populares “Três desejos”, “Maria Angula” e “Rei cabeça de galinha”. Além disso, as crianças mostraram para os colegas os cadernos que fizeram com ilustrações dos contos apresentados pelo educador Márcio Maracajá no Ateliê. As apresentações aconteceram em 28 e 30 de junho nas EMEFs João Gualberto do Amaral Carvalho, Alferes Tiradentes e Professor Laerte Ramos de Carvalho.

Ateliê Digital encerra semestre com Festival de Animação

O Festival de Animação marcou o encerramento das atividades deste semestre no Ateliê Digital, do Ateliê-Escola! Ele aconteceu em duas etapas. Nos dias 13, 14 e 15 de junho, os filmes em stop motion criados pela garotada foram exibidos a outras turmas da escola que não participam do Ateliê. Eles foram convidados a escolher o filme que mais gostaram e a depositar um papel com seu voto em uma urna.

Na semana seguinte, foi a vez das crianças do Ateliê assistirem aos filmes e conhecerem os vencedores do Festival. Das 12 turmas que participaram, seis foram premiadas com medalhas e um troféu. O pessoal ficou na maior ansiedade para saber qual foi o filme vencedor, e é claro que as turmas premiadas comemoraram muito. Mas todos estão de parabéns e podem se considerar vencedores, porque os filmes estão incríveis! Você pode conferi-los neste site, junto a outras animações feitas nos semestres anteriores.

Os vencedores desta edição do Festival de Animação foram os filmes “A lenda do tênis misterioso”, da EE Professora Amélia Moncon Ramponi; “O menino fantasma” e “Epa, o menino sumiu!”, da EMEF Alferes Tiradentes; “A turma do barulho”, da EMEF Doutor Antônio Carlos de Abreu Sodré; e “A festa à fantasia” e “O mistério do bebedouro enfeitiçado”, da EMEF Professor Laerte Ramos de Carvalho.

Meio ambiente, cultura regional e bichos no Ateliê Canto em Grupo

Neste ano, as atividades do Ateliê Canto em Grupo, do Ateliê-Escola, têm novos temas nas turmas dos educadores George Ferreira e Daniel Reginato. As músicas escolhidas por George seguem o tema “Encantos da natureza”, e falam sobre natureza, meio ambiente e ecologia. Já o repertório que Daniel selecionou mistura ritmos regionais e canções sobre bichos de cada região do Brasil, com o tema “Entre bichos e ritmos”.

George explica que sua proposta é incentivar as crianças a pensar mais sobre a preservação do meio ambiente e lembrar que os seres humanos e a natureza estão conectados. “Esquecemos que a natureza faz parte da gente. Achamos que ela está desvinculada do nosso espaço, com tantos prédios, construções e asfalto, mas ela existe entre nós”, comenta. Os debates sobre esse assunto acontecerão no segundo semestre a partir das letras de canções como “Correnteza”, de Tom Jobim, “O vento”, de Dorival Caymmi, e “Benke”, de Milton Nascimento.

As atividades deste semestre são dedicadas a apresentar a linguagem musical para os participantes do Ateliê, com jogos e brincadeiras que exploram a musicalização, a percussão corporal, a coordenação motora, entre outras habilidades. Para isso, o educador escolheu músicas que são adequadas para quem está iniciando no canto: “Canto do povo de um lugar”, de Caetano Veloso, e “Minha canção”, de Chico Buarque.

As turmas anteriores de Daniel já seguiam um repertório que representava a diversidade cultural do Brasil. Agora ele resolveu incrementar o tema com compositores de cada região e músicas que falam de bichos ameaçados de extinção de biomas do Norte ao Sul do país. Junto às letras das canções, o educador incluiu atividades para serem feitas fora do Ateliê, que envolvem a interpretação da letra, as culturas regionais e as características dos animais. “As professoras também podem aproveitar e relacionar as atividades às matérias em sala”, diz.

Assim como George, Daniel primeiro apresentou a música de Caetano Veloso “Canto do povo de um lugar”. “É simples, mas tem grande representatividade por ser de um compositor do Nordeste que passou a viver no Sudeste”, explica. As crianças também já conversaram sobre as canções “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, “Quem não teme a sucuri?”, de Xavier Bartaburu e Edson Penha, e “Eu só quero um xodó”, de Dominguinhos e Anastácia. Além das discussões sobre as letras e ritmos, a meninada faz jogos com movimentos corporais e elementos da música, exercícios vocais e, é claro, pratica o canto.

No final deste semestre, as turmas dos dois educadores vão conduzir oficinas para outros alunos das escolas com jogos e canções que conheceram no Ateliês. E uma grande apresentação será realizada no final do ano para os pais e toda a comunidade escolar.