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Um diário para registrar reflexões e questionamentos sobre os ateliês

Neil Postman, um grande pensador do século XX, afirmou que perguntar e responder são nossas ferramentas intelectuais mais importantes. No Matéria-Prima Itapevi, essa afirmação de Postman é levada muito a sério. Por isso, criamos o Diário do MP, um caderno no qual as crianças registram o que aprenderam naquele dia, o que foi mais complicado de fazer e um espaço muito especial que diz “Viva! Depois de tudo o que aprendi hoje, eu tenho perguntas! Aqui estão elas”. Esse espaço mostra às crianças que devemos valorizar as dúvidas e questionamentos sobre aquilo que acontece nos encontros (e na vida). O registro é feito todos os dias ao final de cada ateliê.

O educador do Ateliê Era Uma Vez…, Márcio Maracajá, ressalta que o Diário é uma ferramenta que provoca uma problematização, já que os participantes precisam parar e pensar em tudo o que fizeram, inclusive questionar o que não entenderam ou o que acharam que não deu certo. As perguntas e respostas são exercícios essenciais e, por meio deles, as crianças vão aprendendo a se posicionar de maneira mais crítica, explica Márcio.

Para Bruno Helvécio, educador do Ateliê Itapevi + Verde, os problemas apontados pelas crianças são importantes para o próprio planejamento do ateliê. “Acredito que, para nós, é um indicador do que podemos melhorar ou ser mais claros no que queremos transmitir”, afirma.

Bruno reserva de 20 a 30 minutos ao final de cada ateliê para que os participantes preencham o Diário. Muitos deles ainda estão em fase de alfabetização e têm um pouco mais de dificuldade para elaborar seus registros, mas o educador – com o apoio das assistentes Regiane Araújo e Leidiane Silva – conversa com cada criança e as ajuda a colocar suas ideias no caderno da forma mais clara possível.

No Ateliê Era Uma Vez…, Márcio repassa as atividades realizadas com as crianças e também realiza um acompanhamento individual junto com as assistentes Regiane Araújo e Erica Pontes para auxiliar os pequenos com a escrita. “E é legal que os participantes que terminam mais rápido ajudam os colegas a preencher também”, conta. O educador destaca que o Diário ajuda a compreender melhor a proposta do ateliê. “É bom para entender o que é o ateliê, quais são nossos objetivos e nosso percurso para alcançar esses objetivos.”

O diário também permite que tanto os educadores quanto os coordenadores do projeto possam obter evidências claras dos avanços das crianças por meio da análise desses registros: a melhora na capacidade descritiva, a clareza na elaboração das perguntas e textos, entre outros.

Conheça o Ateliê de Linguagem, dedicado a língua portuguesa e matemática

Neste ano o pessoal do Matéria-Prima Itapevi passou a contar com um novo ateliê: o Ateliê de Linguagem. Nele, os participantes fazem atividades de língua portuguesa e matemática para ampliar a capacidade de leitura e escrita e desenvolver o raciocínio lógico. Todas as crianças do MP Itapevi participam desse ateliê duas vezes por semana, divididas em turmas com níveis diferentes.

Em cada turma, são formados grupos de quatro pessoas para fazer os exercícios. Assim, as crianças podem se ajudar com as dificuldades e trocar ideias sobre as atividades. “Quem ajuda também aprende, porque tem que pensar o conteúdo de uma maneira diferente para ajudar a resolver a dúvida do colega”, diz a educadora Maria Lúcia Vidal, que é responsável pelo ateliê junto com as educadoras Catiusca Borges e Renata Melo.

As atividades de língua portuguesa se baseiam em diferentes gêneros textuais, explorando a linguagem e a estrutura dos textos. Neste semestre, as turmas estão conhecendo crônicas, contos, fábulas, notícias, entrevistas e comentários de notícias – e elas também têm que criar seus próprios textos nesses gêneros. As crianças menores, que estão em fase de alfabetização, fazem textos coletivos e os leem para os colegas. Já as maiores escrevem individualmente e ajudam a revisar os textos umas das outras.

Os exercícios de matemática são feitos em forma de desafios, jogos e questões envolvendo números, grandezas, fórmulas… O importante é pensar bastante para chegar nos resultados! “Nesse ateliê, os participantes produzem o tempo todo. Lançamos desafios e colocamos eles na posição de leitores e escritores, sempre respeitando o tempo de cada um para fazer as atividades”, explica Maria Lúcia.

O ateliê não para por aí! Nos outros dias, as crianças preenchem o Diário do MP, um caderno para registrar tudo o que elas fizeram nos outros ateliês do MP Itapevi. Ao final de cada ateliê, a garotada cria textos para responder perguntas como “O que foi que fizemos hoje?”, “As atividades que nós fizemos hoje me fizeram pensar em…” e “Durante este ateliê eu descobri que…”, e completam com um desenho da atividade do dia.