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Percurso para convidar as crianças a imergir no mundo da arte

Painéis de mosaico, esculturas de monstros, instalações de lambe-lambe, ilustrações nas paredes… Os participantes do Ateliê Arte para Todos já produziram as mais diversas obras e deixaram sua marca na sede do MP Itapevi e nas escolas participantes do Ateliê-Escola – uma das maneiras pelas quais mostramos às crianças o poder que elas têm de interferir no mundo.

Pra chegar nesse resultado, o primeiro passo é encantar meninos e meninas ao introduzi-los no mundo da arte. A estratégia adotada pela educadora Fúlvia Marchezi para convidá-las para o percurso é a contação de histórias. Fúlvia apresenta as histórias de maneira divertida e cheia de expressões, já tendo utilizado até fantasias e adereços – depois, os participantes fazem ilustrações dos contos. “É para que eles se encantem com a proposta do ateliê, de ser algo diferente do que eles estão acostumados”, explica.

O objetivo do ateliê é a alfabetização visual, ou seja, ensinar os participantes a apreciar, descrever e questionar o que veem em obras de arte, identificar elementos do desenho, desenhar de forma livre e expressiva e reconhecer obras de grandes artistas. Por isso, após o momento do convite com as histórias, as crianças começam a realizar uma série de atividades que exercitam essas habilidades. Elas fazem exercícios que envolvem elementos do desenho, conhecem diferentes linguagens artísticas e discutem obras de arte.

Fúlvia dá preferência por contextualizar as obras de artistas renomados com as atividades do ateliê. “Mostro referências de artistas que trabalham em suas obras elementos que estou trabalhando com as crianças, para estabelecer uma conexão.” Alguns exemplos são o pontilhismo do francês Georges Seurat, os pontos e esferas da japonesa Yayoi Kusama, as linhas do norte-americano Saul Steinberg e as esculturas e instalações da francesa Louise Bourgeois.

Além do produto final, que são as instalações nas escolas e na sede do MP Itapevi, a ideia é que os participantes encontrem sua própria maneira de desenhar e se expressar e ampliem seu repertório e a forma como leem as obras de arte. “Um dos principais resultados esperados é que a criança que desenha de um jeito restrito, fazendo pessoas de palito, cabelos em espiral, consiga quebrar tudo e fazer desenhos de uma forma que ela nunca tentou”, diz Fúlvia.

Assembleia reúne crianças e educadores no MP Itapevi

A última assembleia do ano no Matéria-Prima Itapevi aconteceu no dia 16 de novembro. Alguns dias antes, as crianças receberam um papel para responder o que mais achavam legal no MP Itapevi, o que não é legal e precisa ser melhorado e o que elas podem fazer para melhorar o que não está bom. No dia, todas levaram suas anotações e compartilharam suas respostas, além de opinar sobre as respostas dos colegas. Elas discutiram sobre os ateliês, o horário livre, as refeições, bullying, entre outros tópicos.

Os educadores Bruno Helvécio, Fúlvia Marchezi, Marcio Maracajá e Renata Melo anotaram as respostas das crianças em três campos: “Fortalezas”, “Fraquezas” e “Oportunidades”. Agora, a equipe do projeto irá analisar as sugestões para elaborar um documento de propostas e princípios para o MP Itapevi, que será compartilhado com as crianças.

Ilustrações das crianças nos muros da EE Paulo de Abreu

O Ateliê Arte na Cidade, do Matéria-Prima Itapevi, levou as ilustrações que as crianças fizeram sobre o mito dos 12 Trabalhos de Hércules para colorir os muros da EE Paulo de Abreu. A educadora Fúlvia Marchezi e os participantes dos grupos Vermelho e Verde ficaram responsáveis pela pintura dos muros. Já as crianças do grupo Amarelo estão pintando as paredes da sede do MP Itapevi com seres mitológicos.

Kanban: da gestão de empresas para os ateliês do MP Itapevi

Uma ferramenta de gestão usada por empresas do mundo todo foi parar no Matéria-Prima Itapevi: o kanban. Educadores de todos os ateliês adotaram esse sistema no ano passado para auxiliar no planejamento e na organização das atividades. O kanban faz parte de um conjunto de recursos utilizado nos ateliês para fazer com que as crianças não apenas se foquem no produto final, mas entendam e participem do planejamento de cada etapa desse processo. A habilidade de planejar uma atividade é algo que as crianças poderão utilizar para a vida toda, seja nos estudos, no trabalho ou no dia a dia.

“Kanban” é uma palavra japonesa que significa “cartão”, o que diz muito sobre como a ferramenta funciona. O kanban mais básico é uma tabela com três colunas: “a fazer”, “fazendo” e “feito”. As tarefas que precisam ser feitas são escritas em post-its e mudam de coluna conforme o andamento das atividades. Ou seja, o kanban é uma maneira de se organizar com a ajuda de cartões – ou post-its.

O engenheiro Taiichi Ohno foi quem criou esse método no Japão, na década de 1950, como uma forma de aprimorar o processo de produção da fábrica de automóveis Toyota. Desde então, empresas começaram a utilizar o kanban não só para controlar a produção, mas também como uma ferramenta prática para que toda a equipe consiga acompanhar o passo a passo das tarefas e planejar melhor as atividades. No Matéria-Prima Itapevi, cada educador tem a liberdade de montar o kanban da maneira que preferir, contanto que seja fácil para as crianças compreenderem – afinal, a ferramenta também é para elas.

A educadora Fúlvia Marchezi incluiu mais duas colunas no kanban do Ateliê Arte na Cidade: “checado” e “problemas”. Depois que termina de conferir as atividades realizadas pelos participantes, Fúlvia indica na última coluna problemas que podem ter atrapalhado o andamento da tarefa, como conversas paralelas ou atrasos das crianças. “Eles ficam sinalizados para evitar que aconteçam novamente”, explica. A educadora desenhou a tabela em um papel paraná e escreveu todas as atividades de cada etapa do ateliê em post-its.

Para Fúlvia, a chave do kanban é ser simples e visualmente claro. Por isso, ela recomenda que os post-its contenham poucas palavras escritas em letras grandes e garrafais, apenas para representar o que é a atividade – os detalhes são explicados durante o ateliê. “O legal é chegar na sala, bater o olho e ter uma clareza da trilha, e isso acontece por meio da comunicação visual”, diz. “Ter essa clareza é muito importante, porque muitas vezes o aluno não sabe onde o professor quer que ele chegue.”

O pessoal do Bloco MPI, do Ateliê de Percussão, também utiliza o kanban em quase todos os encontros. A educadora Simone Medeiros confeccionou a tabela em um tecido de cerca de 2 metros e os cartões em papel paraná, que são colados no pano com velcros. São oito cartões, um para cada tópico do planejamento anual do ateliê. “São as crianças que posicionam os cartões, o que faz com que elas automaticamente entendam o que estamos fazendo”, conta. O kanban é consultado com frequência, tanto para a turma se localizar quanto para relembrar os tópicos. Não existe uma ordem cronológica, já que as atividades podem ser feitas simultaneamente.

As educadoras contam que muitas crianças começaram a usar o kanban em outras situações, como para se organizar antes de uma viagem ou se preparar para apresentações. “Os mais novos ainda enxergam o kanban como algo do ateliê, mas a gente percebe que os mais velhos estão usando com autonomia nas coisas do dia a dia”, diz Simone. “É um instrumento muito legal para fazer qualquer tipo de planejamento”, conclui Fúlvia.

Saiba mais:
Guia do Estudante
Endeavor Brasil

Colchas de retratos para enfeitar as paredes das escolas

As escolas das turmas participantes do Ateliê Arte para Todos, do Ateliê-Escola, serão enfeitadas com lindas colchas no final do semestre. O mais bacana é que as estampas das colchas serão os rostos das crianças do Ateliê, desenhados por elas mesmas! Mas antes de chegar a esse resultado final, elas estão fazendo diversas atividades para praticar a produção de seus autorretratos.

No começo do ano a garotada fez exercícios do caderno Elementos do Desenho, que explora noções básicas de desenho como linhas e pontos. A educadora Fúlvia Marchezi também auxilia as crianças a lidar com materiais específicos de desenho – o lápis utilizado no Ateliê, por exemplo, é mais macio, e os traços precisam ser mais suaves.

Agora as turmas começaram a treinar seus autorretratos no papel. Tem que observar com muita atenção todos os elementos do rosto para isso, como distâncias, medidas dos olhos, entre outros detalhes. “Quero descaracterizar o que foi aprendido até agora sobre desenho”, diz a educadora. Fúlvia explica que as crianças estão acostumadas a fazer um tipo de desenho que é padrão para crianças. “A ideia aqui é praticar a observação, fazê-los olhar atentamente para algo, e não fazer os mesmos desenhos de sempre. Depois eles vão colocar isso no papel.”

O estilo dos desenhos será totalmente livre para cada um escolher, mas Fúlvia também irá apresentar como referência algumas obras de três artistas que fizeram autorretratos: Frida Kahlo, Pablo Picasso e Amedeo Modigliani. Os autorretratos das turmas do 1º ano serão feitos na madeira, que é mais firme para eles desenharem, e depois serão unidos um ao lado do outro. Já o pessoal do 3º ano desenhará seus autorretratos em pedaços de pano, que serão costurados para formar a colcha.

Ateliê-Escola começa o ano com novidades nos ateliês

As turmas do Ateliê-Escola começaram o ano bastante empenhadas nos ateliês. Neste primeiro mês já teve muita música, contação de histórias, brincadeiras, atividades nos viveiros… Também há novidades nos ateliês – olha só o que vem por aí!

O Ateliê Som e Movimento – Capoeira conta com um novo educador: Rodrigo Moreira, conhecido como Carioca. Ele faz parte do Grupo Nzinga de Capoeira Angola e pratica esse estilo de capoeira há 13 anos. As crianças do 1º ano da EMEF Professor Laerte Ramos de Carvalho vão conhecer mais sobre as tradições da capoeira Angola neste ano e já começaram a treinar o movimento básico da capoeira, chamado de ginga.

A natureza foi a inspiração para os repertórios escolhidos pelos educadores Daniel Reginato e George Ferreira para o Ateliê Canto em Grupo. Com o projeto “Entre bichos e ritmos”, Daniel vai apresentar diferentes animais da fauna brasileira por meio de canções. Já as turmas de George conhecerão músicas que falam sobre elementos da natureza e sua relação com o ser humano, no projeto “Encantos da natureza”. Os dois repertórios incluem canções de grandes compositores brasileiros e de ritmos típicos do país.

A educadora Fúlvia Marchezi transformou os primeiros encontros do Ateliê Arte para Todos em sessões muito divertidas de contação de histórias. A ideia é que os participantes do ateliê explorem os elementos das histórias para depois aproveitá-los em suas próprias criações. Neste semestre as turmas farão pinturas em tecido, que serão transformadas em uma colcha de autorretratos para decorar um espaço da escola.

E a garotada do Ateliê Digital vai produzir filmes com a técnica de stop motion, que foi um sucesso com as turmas de 2015. Mas neste ano os filmes terão um toque diferente: as próprias crianças aparecerão como os personagens!