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Gotejador solar: uma ideia simples e eficiente para ajudar na rega

Um espaço de cultivo é sempre diferente do outro. Possui características próprias, vantagens e desafios específicos a serem superados. Na EE Professora Amelia Moncon Ramponi, por exemplo, o espaço do Viveiro-Escola tem uma característica que faz com que a terra seque muito rápido. A solução encontrada pela equipe do Ateliê-Escola foi a instalação de um uma tecnologia inovadora, mas muito simples: um gotejador solar.

O viveiro da EE Professora Amelia Moncon Ramponi é um pouco diferente dos espaços que existem há alguns anos na EMEF Alferes Tiradentes e na EMEFM Professor Linneu Prestes, que são estruturas fechadas por tela e com prateleiras para se colocar as mudas, parecidas com estufas (ainda que o ateliê utilize outros espaços da escola, como hortas e jardins). No Moncon, o Viveiro-Escola se realiza em um canteiro, um espaço delimitado no chão e a céu aberto. Só que a camada de terra do canteiro é pequena, com cerca de 20 centímetros acima do concreto. Por isso, seca muito rápido. É aí que entra o gotejador solar.

Como funciona? A ideia do gotejador é fornecer à terra uma rega constante, independente da ação humana, ainda que parcial e em pequenas quantidades. Para montá-lo, são necessárias apenas duas garrafas plásticas de água de tamanhos diferentes – a menor com a boca cortada e a maior com o fundo cortado. A garrafa menor, cheia de água, deve ser enterrada no canteiro até a metade. Em cima dela, coloca-se a garrafa grande. O calor do sol faz a água da garrafa de dentro evaporar e se condensar na parede interna da garrafa maior, escorrendo depois para a terra. O resultado é que o solo embaixo e no entorno das garrafas fica úmido por todo o tempo em que houver água dentro da garrafa pequena. “Quando o solo está muito molhado, a água para de evaporar porque o ambiente fica saturado. De tempos em tempos você só tem que encher a garrafa de dentro”, explica o biólogo Marcel Zimmermann, que trabalha no Viveiro-Escola junto com o educador Caito Martins. Mas o gotejador não consegue manter a terra úmida sozinha: como a área que ele alcança é pequena, a rega periódica precisa continuar. (Para saber mais sobre o gotejador solar, veja este vídeo e este também.)

A experiência com o gotejador solar começou na EE Professora Amelia Moncon Ramponi há cerca de um mês. A equipe do Ateliê-Escola cortou as garrafas (foram usadas garrafas de 7 litros e de 2 litros), mas a montagem dos gotejadores no solo foi feita pelos próprios alunos. Ao redor dos gotejadores, foram plantadas mudas de suculenta, para entender como as plantas reagiriam ao experimento. Desde então, a água dentro das garrafas só precisou ser reposta uma vez (em parte porque começou a chover). E as mudinhas estão indo bem: já estão rebrotando!

 

 

Uma central de mudas para o Viveiro Escola

A principal característica do Viveiro Escola é a diversidade de projetos e cultivos. Para cada escola há uma solução de plantio e de ocupação do espaço, que dialoga com suas características físicas e seu projeto pedagógico. O espaço da EMEFM Professor Linneu Prestes é o que funciona há mais tempo, desenvolvendo um papel importante em relação aos demais. É um local com vocação para experimentação e que se tornou o principal produtor de mudas dos quatro viveiros mantidos hoje pelo Ateliê-Escola.

O espaço fica em uma parte mais isolada da escola e é usado somente para atividades pedagógicas. Sendo um local preservado, mostrou-se apropriado para a construção de estruturas que em outros viveiros seriam mais difíceis de acontecer. “A gente começou a pensar que esse espaço podia ser usado tanto para desenvolver alguns protótipos, como o do lago, quanto para começar a investir na produção de mudas”, conta o educador Julio Muller.

Entre as principais mudas que o viveiro do Linneu produz estão árvores como pitanga, amora, acerola e abacate; hortaliças e ervas medicinais como babosa; temperos clássicos como alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha, coentrão; ervas aromáticas como malva de cheiro, capim santo e arruda. Há também mudas de PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais): capuchinho, bertalha, ora-pro-nóbis, melãozinho de são caetano, caetá do brejo.

Hoje, o Linneu fornece mudas não só para as outras escolas do Viveiro Escola, mas também para as famílias dos alunos e alunas. “O fluxo é aberto. As crianças vêm e levam 20 mudas pra casa. Um tio de uma criança veio buscar mudas pra fazer uma horta na casa dele”, exemplifica Julio. Agora, a equipe do Viveiro Escola no Linneu, que é formada por Julio e por Marcel Victor, está consolidando essa vocação. A ideia é estabelecer um controle de quantas mudas saem, quais culturas e para onde.

E não é só na vocação que o Linneu é diferente. Lá, todas as 5 turmas do Ensino Fundamental I participam do ateliê. Isso quer dizer que elas vão desenvolvendo uma relação contínua com o espaço do viveiro, e que se renova a cada ano. Julio conta que há um grupo de alunos do 4º ano que curte fotografia e resolveu fazer um registro fotográfico do viveiro. Já algumas meninas do 5º ano gostam de construir e estão se dedicando a melhorar a harmonia do espaço e o lugar de cada coisa lá. Ou seja, meninos e meninas autônomos, que sentem que o espaço do viveiro também é deles.

Trabalho de criança: muita coisa bonita, gostosa e divertida no encerramento do Ateliê-Escola

Os ateliês do Ateliê-Escola também prepararam atividades especiais para marcar o encerramento do ano, realizadas ao longo de novembro e nas primeiras semanas de dezembro. Teve rodas de capoeira, dias de brincadeiras, apresentações de canto e muito mais!

Ateliê Arte para Todos: Cada escola participante do ateliê neste ano ganhou uma instalação artística diferente feita pelas crianças! Os armários das salas da EE Professora Amélia Moncon Ramponi foram restaurados com técnicas de mosaico e pintura em tinta spray. Um dos muros internos da EMEF Carlos de Andrade Rizzini foi colorido com diversas ilustrações. E as paredes da EMEF Professora Maria Lúcia dos Santos contam agora com grandes painéis de MDF ilustrados com personagens gigantes.

Ateliê de Jogos e Brincadeiras: A criançada do ateliê e de outras turmas se divertiu com o Dia de Brincadeiras, organizado na EE Professora Amélia Moncon Ramponi e nas EMEFs Carlos de Andrade Rizzini e Professora Maria Lúcia dos Santos! Foram montados espaços na área externa das escolas com brincadeiras como bolhona de sabão, casinha, argila, bambolê e outras.

Ateliê Era Uma Vez…: Os pequenos contaram histórias do livro “Fábulas Italianas”, de Ítalo Calvino, para seus colegas de outras turmas das EMEFs Professora Maria Lúcia dos Santos e Doutor Antônio Carlos de Abreu Sodré da EE Professora Amélia Moncon Ramponi.

Ateliê Cultura Digital: As turmas do 2º semestre produziram vídeos com depoimentos de alunos e professores sobre histórias que marcaram suas vidas. Os vídeos foram exibidos às turmas das EMEFs Professor Laerte Ramos de Carvalho e João Gualberto do Amaral Carvalho e da EE Professora Amélia Moncon Ramponi em diversas sessões e durante a Mostra Cultural das escolas, com a presença dos pais.

Ateliê Som e Movimento – Capoeira: As Mostras Culturais da EMEF Professor Laerte Ramos de Carvalho e da EE Professora Amélia Moncon Ramponi tiveram rodas de capoeira com os participantes do ateliê, com ladainhas (cantos de capoeira) compostas pelas próprias crianças!

Viveiro Escola: Na EMEFM Professor Linneu Prestes, alunos, pais e moradores da comunidade puderam conhecer o viveiro durante a Mostra Cultural. O viveiro da EE Professora Amélia Moncon Ramponi também teve visitação na Mostra Cultural, além de uma exposição de cartazes com fotos das atividades realizadas durante o ano. Já as turmas da EMEF Alferes Tiradentes se reuniram para um encontro no viveiro, onde saborearam um guacamole feito pelo educador Pedro Massella e pelo assistente Marcel Zimmermann.

Ateliê Canto em Grupo: Seis escolas participaram do ateliê neste ano com 21 turmas, que realizaram 14 apresentações de canto nas escolas para encerrar 2017. Além disso, as turmas da EMEF Carlos de Andrade Rizzini se apresentaram para pais e comunidade no teatro da Paideia Associação Cultural, que fica no mesmo bairro da escola.

Um viveiro para toda a escola na EMEF Alferes Tiradentes

Um espaço de aprendizado, contato com a natureza e integração entre a escola e a comunidade. É assim que é visto o viveiro da EMEF Alferes Tiradentes, criado em 2013 por meio de uma parceria com o Viveiro Escola, do Ateliê-Escola. O viveiro ocupa um espaço bem amplo no estacionamento da escola e conta com diversos recursos, como uma minicisterna, uma composteira e uma roda de bananeiras.

O coordenador pedagógico da escola, Silem Santos Silva, conta que o Viveiro Escola colocou em prática uma proposta que a equipe estava bastante interessada em fazer, mas ainda não tinha conseguido devido às atividades que ocupam a rotina dos professores. “A parceria com o Ateliê-Escola é extremamente importante”, diz Silem. “Quando o Ateliê-Escola entrou, ele deu conta desse outro conteúdo que está no dia a dia escolar, mas na modalidade extraclasse”, explica.

Na EMEF Alferes Tiradentes, as turmas dos anos iniciais são as que participam do Viveiro Escola, mas o viveiro é aberto a atividades de todas as turmas. O coordenador menciona que o espaço já foi local para contações de histórias e para uma atividade do 7º ano em que os alunos fizeram uma identificação das plantas do viveiro e das árvores da escola. “O viveiro cria um contato com a natureza, respeito à terra, noção de como lidar com a vida, compreensão dos processos de plantio e colheita. As crianças também passam a valorizar o trabalho no campo, os alimentos e o trabalho manual”, afirma.

Silem destaca que o espaço do viveiro é bastante valorizado tanto pela comunidade escolar quanto pela comunidade externa. Funcionários e pais podem levar mudas para casa e muitos professores conversam com o educador Bruno Helvécio para saber como fazer o plantio. As cozinheiras e a equipe de limpeza também contribuem com a composteira levando restos de cascas de alimentos e folhas recolhidas no pátio da escola.

Não é à toa que o viveiro da EMEF Alferes Tiradentes serviu como modelo para professores, coordenadores e diretores de outras escolas públicas de São Paulo nas formações sobre horta escolar organizadas em 2015 pelo Ateliê-Escola. Para Silem, esse é um motivo de orgulho. “As escolas públicas têm uma certa rejeição a esse tipo de projeto com a comunidade por receio de depredação. Nós não temos esse problema aqui, percebemos um grande respeito das pessoas que vêm aqui aos finais de semana e da comunidade interna. Eles veem a beleza do espaço e o aprendizado das crianças e respeitam o viveiro.”

Essa boa experiência levou o coordenador e um professor da escola a pensar na expansão do jardim que fica perto do estacionamento. Eles pretendem utilizar conceitos de geometria para planejar o espaço e conversar com o educador Bruno para entender quais tipos de plantas poderão ser plantadas, o tipo de terra a ser utilizada e de que forma podem fazer a ampliação. Temos certeza de que será mais um lindo espaço para toda a escola aproveitar!

Ateliê Itapevi + Verde leva jardins de ver e comer à EE Paulo de Abreu

O Ateliê Itapevi + Verde, do Matéria-Prima Itapevi, começou em 2014 uma parceria muito bacana com a EE Paulo de Abreu. Para ampliar as atividades do ateliê para além da sede, o pessoal do Matéria-Prima sugeriu construir um viveiro na escola. A direção da EE Paulo de Abreu topou a ideia e todo mundo colocou a mão na massa!

O viveiro foi construído como um apoio à horta que já existia por lá. As atividades do ateliê no ano passado, conduzidas pelo educador Bruno Helvécio, foram relacionadas à construção desse espaço e ao cultivo das primeiras mudas. Também foram usados conceitos de bioconstrução para montar o viveiro, que ganhou uma minicisterna, uma roda de bananeiras (saiba o que são aqui) e bancos de terra, que são feitos com sacos de terra crua (adobe) empilhados como tijolos.

E esse espaço também é aproveitado pelos alunos da escola! Uma vez por semana dois grupos do 6º ao 8º ano cuidam da manutenção do viveiro, acompanhados de seus professores e da educadora do MP Itapevi Estela Cunha, que também é responsável pelo ateliê. “Os alunos adoram participar, eles queriam até que acontecesse mais vezes por semana! Os professores aproveitam conceitos usados nas atividades do viveiro em outros trabalhos em sala também”, conta a vice-diretora da EE Paulo de Abreu, Rosângela do Espírito Santo Silva. “Essa liberdade do contato com a natureza é fundamental. O projeto acrescentou muito ao nosso trabalho com a horta”, diz Rosângela.

Neste ano, além das atividades no viveiro, o ateliê vai dar mais cores a outros espaços da escola. O pessoal fez uma pesquisa de quais lugares poderiam ter um jardim e propôs uma votação entre os alunos e a direção. Nos dois espaços escolhidos serão cultivados jardins de ver e comer, com hortaliças, temperos, plantas ornamentais e flores. Todo mundo está dando sugestões sobre o que pode ser plantado! Mas a turma do ateliê está observando todas as características dos locais para ver o que é possível cultivar, para depois preparar a terra e começar o plantio. No final do ano, os pais e alunos da escola serão convidados a conhecer os espaços e participar de oficinas de cultivo.